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Ver Versão Completa : Transplantado usando Moto?



gusartori
22-12-2016, 14:36
Boa tarde a todos.

Tento acompanhar o gsbrasil, bem como o portal big trail através do tapatalk, e os grupos de 800 e 1200 do facebook.
Lá pesquisando, também não encontrei nada. Apenas alguns relatos e sugestões no Google.

Vou resumir:
desde 2002 (20 anos) tenho insuficiência renal crônica e moto há uns 6 anos.
Recentemente fiquei perto do terninho de madeira e agora já estou melhor - internado ainda no pos-uti -, pois fiz transplante de rim (minha mãe foi compatível e doou um dela pra mim).
Agora o motivo do tópico: ouço alguns profissionais da área de saúde dizendo pra abandonar esse prazer que é um dos meus últimos, pois qualquer queda pode virar uma tragédia para meu novo órgão - já que a região é perigosa.

Penso eu que não ando, e acredito que a maioria que ama e anda nessas bikes, não tem intenção nunca de cair e também nem correm a tantas com o iminente risco de queda a cada curva, trilha ou chuva.

Finalizando, ando ouvindo de todos os lados... mulher, família, médicos: "venda sua moto".
A citycom já está à venda pois trabalho a 10 minutos de casa a pé, mas a gs800 continuaria para viagens (desde 130 km pra mais) com a mulher, facilitado ainda pelo bau de 58 litros.

Alguém do grupo é transplantado e usa algum equipo de vestimenta específico ou conhece alguém nessas condições?

Abraço a todos os leitores, moderadores e administradores.

Gustavo


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Iceman
22-12-2016, 16:03
Gustavo, essa é uma questão muito delicada mesmo.

Com certeza, ninguém sofre um acidente porque quer.
Obviamente sempre tem os que abusam da velocidade e da falta de prudência. Estes com certeza correm um risco muito maior.
Mas mesmo os que, como nós, pilotam dentro dos limites seguros, prestando atenção, usando equipamento adequado, etc, não estão livres de acidentes.
Sempre tem "os outros" para fazer m... na sua frente.

OK. Se todos estamos sujeitos a um acidente, qual a diferença entre um "transplantado" e uma pessoa não "transplantada"?

Basicamente as consequências.

Especificamente no caso do rim, uma pessoa normal tem dois, ou seja, se perder um (ou doar, como no caso da sua mãe), ainda podemos viver com um só.
É como se um pneu furasse, usamos o estepe mas seguimos viagem sem o estepe (pois já foi usado).

Por outro lado, mesmo uma pessoa normal tem diversos órgãos (a maioria aliás) que não tem reserva (coração, coluna vertebral, baço, intestinos, etc.).
Então, olhando por esse lado, não teria muita diferença entre o risco que você corria antes e agora.
Agora, pelo lado médico/fisiológico, não sei se o rim tem uma fragilidade maior que outros órgãos mencionados.

Eu creio que existam equipamentos de proteção, do tipo usado pelos caras de moto-cross, que podem fornecer proteção adicional para esta área.
O ideal seria realmente consultar um médico.

Outro fator a ser ponderado é o tamanho da sua paixão pelo motociclismo.
Ou seja, a relação custo (risco)/benefício.

É a velha estória do cara que perguntou ao médico quanto tempo ele teria ainda de vida.
O médico respondeu: - Bem, se você parar de fumar, de beber, de comer carne animal, gorduras, doces, etc. e para de fazer sexo, você poderá viver alguns anos a mais.
O cidadão respondeu: - Doutor, seu eu não puder fazer mais nada disso, para que eu vou querer viver alguns anos a mais?

Enfim, é uma decisão complicada e pessoal.

Talvez um meio termo.
Não vende a moto, mas dá uma maneirada na freqüencia de uso, estuda melhor os passeios, evitando áreas de maior risco, sei lá.
Você é quem terá que achar a resposta.

De qualquer forma, estimo uma pronta recuperação.

gusartori
23-12-2016, 13:59
Ice, boa tarde.

Exato, tenho certeza que muitos que leram o tópico pensam assim também.

O transplantado tem, nos primeiros meses, senão ano, que ter mais cuidados com a região púbica e do cóccix, pois apesar dos pontos bem cicatrizados, a firmeza da "ligação" às artérias não é a mesma.

E por conta disso, o tombo besta de bunda ou "saca" pode acarretar sérios problemas por uma quedinha que nem arranhou as manoplas ou retrovisores...

Claro, vou pensar sobre as escolhas das trips e procurar uma proteção decente pra usar por baixo da calça.

Minha moto é velha, os bandidos curtem, mas acho ela um tesão de viajar pra qualquer canto. Doiria muito ter de passá-la pra frente.

Abc a todos


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Pschinda
24-12-2016, 06:18
Os médico tem mania, por preocupações com seus pacientes, de tentar superprotege-los. Sugerem cortes radicais até com boas intenções, mas se esquecem que nós, seus pacientes, não somos apenas um monte de carne, órgãos e ossos. Temos nossos sentimentos e nossos prazeres.
Concordo com tudo o que foi escrito pelo Ice. Minha sugestão é que você avalie a resistência/fragilidade do seu procedimento em relação à Moto não apenas em casos que qualquer tipo de acidente, mas no caso de um impacto do tipo de passar por um buraco ou uma lombada mal sinalizada e que às vezes nos dão um golpe maior na coluna (e consequentemente nos nossos órgãos ). Aliás, impactos semelhantes a , por exemplo, você saltar de um palco de meio metro de altura.
Por fim, caso sua decisão seja pelo abandono das 2 rodas (espero que não ), você certamente encontrará outros prazeres na vida. MOTO É BOM. MAS TEM OUTRAS COISAS TÃO BOAS QUANTO.
Aproveito para desejar lhe um Feliz Natal.


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Rromagnani
24-12-2016, 12:24
Tinha feito um post aqui mas estranhamente apareceu "aguardando aprovação", vou tentar refazê-lo...

Gustavo o Ice está certíssimo e tudo vai depender do grau de adoração motociclística!

Quando tinha 17 anos sofri um sério acidente pilotando uma Honda ML 125... um atropelamento com consequências desagradáveis...

Depois desse triste episódio, fiquei muitos anos sem moto, mas toda vez que via uma, eu a ficava admirando... os anos passaram, casei, tive filhos e meu medo sempre foi maior que minha vontade. Em duas oportunidades fiquei decidido, mas na hora h amarelei e sucumbi aos apelos familiares que insistentemente comparavam a moto com tudo de pior que existe no mundo!

Um belo dia, criei coragem e sem contar nada a ninguém comprei uma Citycom! Toda aquela paixão reprimida pelos muitos anos aflorou rapidamente, e em poucos dias a troquei por uma Burgman 650! Mais alguns dias (em virtude de problemas mecânicos) e troquei por uma Vstrom!

O que posso dizer é que minha alegria voltou... até ir no banco ficou divertido e minha moto não é apenas um meio de transporte... é minha companheira, minha confidente e minha psicóloga!

Eu não me vejo sem moto hoje, mas a decisão no seu caso cabe exclusivamente a você!

Te desejo ótima e rápida recuperação é um ano novo com muita saúde, com ou sem moto!


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profCarlos
30-12-2016, 13:01
Gustavo, as palavras do Iceman são muito acertivas. Ousarei complementar me apoiando no "velho" Freud, quando ele trata das questões de pulsão de vida e de morte e, para tanto me apoiarei no texto a seguir.

"A pulsão de vida seria representada pelas ligações amorosas que estabelecemos com o mundo, com as outras pessoas e com nós mesmos, enquanto a pulsão de morte seria manifestada pela agressividade que poderá estar voltada para si mesmo e para o outro. O princípio do prazer e as pulsões eróticas são outras características da pulsão de vida. Já a pulsão de morte, além de ser caracterizada pela agressividade traz a marca da compulsão à repetição, do movimento de retorno à inércia pela morte também." (https://estudandopsicologia.wordpress.com/2009/07/06/pulsao-de-vida-e-pulsao-de-morte/)

Na sua situação, o andar de moto está relacionado com o prazer, a aventura as descobertas e, também, as superações de limites e, etc., logo pulsão de vida. Entretanto, diante de seu quadro clínico e da forma com que você irá se comportar quando estiver pilotando pode levá-lo a uma situação ligada a pulsão oposta. Para ratificar a fala e ao mesmo tempo simplificando, é o caso do jovem que adora comer, comer é pulsão de vida, comer de forma descontrolada pode ser sintoma de pulsão de morte.
Assim sendo, eu indicaria (desculpe minha petulância) que você e sua esposa (muito importante ela compartilhar este momento) procurassem um profissional em psicologia e conversassem sobre o assunto, afinal de contas trata-se do futuro de vocês. Estou certo que isto lhes dará mais segurança e consciência das escolhas, dos prazeres e dores advindos delas.
Abs e boa recuperação!


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Iceman
30-12-2016, 21:29
Caro Gustavo.

Recentemente minha esposa (por coincidência) teve um problema renal e passamos o natal no Hospital Alemão Osvaldo Cruz, sendo tratado pela equipe de urologistas do mesmo (extremamente competentes, diga-se de passagem).

Ao conversar com o médico, me lembrei do seu caso e indaguei sobre o seu dilema.

Para minha surpresa, ele me informou que o rim transplantado não é colocado no mesmo local do rim original, porque seria muito complicado ligar todas as conexões novamente, na posição original do rim.

Então, o que é feito, para simplificar a operação e também reduzir o risco de danos colaterais, é que se coloca o "novo" rim numa região mais à frente da pelvis.

E é exatamente este fato, que deixa o "novo" rim mais suscetível a danos, em caso de colisão com a moto.
Na verdade, não só colisão com moto, mas qualquer pancada mais forte na região frontal da pelvis.

Então, realmente é necessário um cuidado maior com esta região, após passar por um procedimento destes.
Mas nada que uma boa proteção mecânica (tipo colete de moto-cross) não resolva.

Espero poder ter ajudado um pouco mais.

gusartori
31-12-2016, 00:26
Prof. Carlos,

confesso abertamente que nunca apoiei a consulta a profissionais da saúde mental - até quando amigos próximos, com o estilo de vida semelhante ao meu, começaram a frequenta-los e desde então, só ouvi maravilhas.
Ainda assim sou um cara meio cético, e a minha mulher, ao menos gostaria de no mínimo, ouvir uma terceira pessoa falar sobre esse assunto, que é pertinente quase todo dia para mim. Vivo achando que a moto não vai ligar... Faz mais de mês que está na garagem e um amigo que trabalha perto deu uma volta e nada mais, não dá pra abusar da parceria, ainda mais nessa época do ano. Rs

Iceman,
fiquei exatas 4 semanas na sessão 9B do Hospital Alemão Oswaldo Cruz (alta sábado passado).
Apesar dos quase 3.000 médicos (com CRM mesmo - fora técnicos, enfermeiros e os demais da saúde e demais departamentos), cheguei a conversar com um ou outro uro, no geral o nefro que me acompanha faz quase 13 anos e outros do setor é que estavam mais perto dos "a operar".
Engraçado, lembro exatamente das motos estacionadas entre a entrada da Treze de Maio e o Prédio A, que era de frente ao terraço do quarto que me "hospedei":
800GS marrom, 1200GS tripleblack das "antigas", e 1200GS azul das novas.

Desejo uma ótima recuperação a sua esposa. E reitero o que você disse, são ótimas pessoas em um excelente hospital.
Sim, o local do novo rim é chamado de fosse ilíaca, que você descreveu corretamente.

Tenho um primo que é do CROSS desde que tínhamos 5, 7 anos... Recentemente comprou um tiger 800, mas tem loja de acessórios e equipamentos para moto e motociclistas, vou atrás dele pra realizar uma compra segura desse protetor.

Bom, feliz 2017 a todos com muitos km de alegrias!


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Medaina
31-12-2016, 15:31
tenho um amigo que precisou parar de andar de moto um ano pois tomava remedio que afina o sangue e caso se ferisse o sangue sairia todo do corpo, ficou um ano e agora voltou a andar de boa, faça isso, coloque a moto na sala e fique um tempinho limpando a moto dia e noite e depois de curado volta. kkkkk

gusartori
09-01-2017, 12:12
Ap pequeno Medaina, se a moto entra na sala (ou empino e subo pelo elevador, ou solicito içamento), tem de sair sofá...

Mais de um mês depois, fui ligar a moto: acendi tudo que era possível. Pegou tranquilo. Só um cheirinho de "passou o ponto", talvez lubrificar a corrente e checar nível do óleo e pronto.

Não vejo a hora do dotô liberar motoca!

9272



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sal silva
09-01-2017, 14:44
Primeiro se fortaleça bem,compre uma jaqueta daquelas modernas que inflão em caso de acidente,monte na moto e seja feliz.

Iceman
09-01-2017, 16:49
tenho um amigo que precisou parar de andar de moto um ano pois tomava remedio que afina o sangue e caso se ferisse o sangue sairia todo do corpo, ficou um ano e agora voltou a andar de boa, faça isso, coloque a moto na sala e fique um tempinho limpando a moto dia e noite e depois de curado volta. kkkkk

Medaina, infelizmente o caso do Gustavo é um pouco mais complicado.
Como já foi mencionado, o rim transplantado nunca mais voltará ao seu local original.
Então o risco é eterno, em função da nova posição do rim.
Mas acho que com as devidas proteções da para fazer uns passeios não radicais.

Medaina
09-01-2017, 17:22
Bom, nesse caso não tem jeito, é risco mesmo.

Eder
22-02-2017, 12:34
O seu caso é sério mesmo. Posso te dizer que fiz 3 safenas e um mamária, do jeito difícil mesmo, serrando o peito. Um mês depois fui de gs1200 de Floripa até Laguna. Me senti muito mais animado. Só não pode cair, o que é perigoso para saudáveis também. Eu no seu caso usaria um colete de proteção da Dainese, daqueles de motocross. Tenho um amigo transplantado de rim, ele sempre teve moto e viajava bastante de carro em estradas de chão.

Montanha
23-02-2017, 00:18
Gustavo, com o passar do tempo, vc se sentirá mais forte e confiante, não desista da moto... apenas de um tempo para se recuperar 100%, fisicamente e mentalmente....
Digo isso pois sou portador de uma doença crônica e degenerativa, que afeta meu sistema nervoso central, causa o enrijecimento da coluna, inflamação das articulações, ataca o coração , pulmões, rins e a visão .... estou num estágio avançando da doença , que não tem cura, porém o tratamento sempre e com remédios a base de morfina e cortisona, entre outros....
Tenho 40 anos, aposentei contra minha vontade, o ano passado...
Primeira coisa que fiz, foi comprar uma BT, e já até fiz minha primeira viagem...
Por que estou relatando tudo isso???
Porque eu também não posso sonhar em cair, nem levar tranco, pois posso quebrar a coluna e se tiver sorte, ficar cadeirante.... mas daqui alguns anos também não vou conseguir andar....esse será o futuro que me espera...
Diante disto, fico mais preocupado em manter a mente saudável e uma forma de fazer isso, mesmo com todos os risco, é andar de moto... isso me deixa bem... super bem...mas faz sentir vivo...
Acredito que em breve vc estará relatando por aqui algumas viagens...
Fé em Deus que vc vai superar...

Abs. Montanha





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